terça-feira, 7 de julho de 2009

Antigo I

Acredito nas palavras acima de todas as coisas.
Nas poucas palavras que deram origem a grandes conversas.
Nas palavras que me trouxeram grandes amigos.
Nas palavras que eu me recusei a ouvir porque prezo meus ouvidos.
Nas palavras que eu soltei, e sem querer, construíram uma série de coisas.
Nas palavras que eu soltei e não devia ter soltado.
Nas palavras que eu senti e não devia ter sentido.
Nas palavras que eu ouvi e não devia ter ouvido.
Nas palavras que eu não soltei e devia ter soltado.
Nas palavras que a gente repete pra trazer um momento de volta.
Nas palavras que me disseram na hora de ir embora.
Nas palavras que me disseram na chegada.
Principalmente nas palavras que surgiram no meio do caminho, assim bem de repente.
Nas palavras que a gente não fala porque lembra coisa ruim.
Nas palavras que eu jurei.
Nas palavras que eu sonhei.
Nas palavras que eu vou viver.
Nas palavras que me convenceram.
Nas palavras que eu li.
Nas palavras que me tiraram desse mundo.
Nas palavras que me colocaram em mim.
Na palavra escrita errada.
Na palavra falada errada.
Na palavra gostosa de ouvir.
Na palavra que eu não conheço.
Na palavra certa que foi usada na hora errada.
Na palavra errada que foi usada na hora certa.
Nas palavras que nunca me deixaram.
Nas palavras com as quais briguei.
Nas palavras pelas quais me apaixonei.
Nas palavras que eu uso sempre.
Nas palavras que não uso nunca.
Mas principalmente, acredito nas palavras que vivem se camuflando em diversos significados, nas palavras que não querem uma vida só, nas palavras que se aventuram em frases que nada tem a ver com elas. Nessas não só acredito, como me inspiro. Ora essa, ninguém deve ficar preso à definição que recebe. A chance de começar de novo surge depois de cada ponto final.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Ui

Para que o novo possa vir, o velho deve ir!
Acho que essa é última coisa velha que sobrou nos últimos tempos... = ]
Ansiosa demais para refletir sobre a fome na África ou coisas desse tipo!!

Para Clarear Sentimento

AMIZADE
Quando o silêncio a dois não se torna incômodo.
AMOR
Quando o silêncio a dois se torna cômodo.
Mário Quintana
É, é engraçado. As coisas simplesmente acontecem, e eu sou extremamente contra o acontecimento impensado delas. Eu acho que antes de acontecer, tudo devia passar por um filtro sutil, de apenas uma pergunta: “Quantas pessoas eu vou machucar?”

RESPOSTA:
0 = acontecimento genial, tipo a multiplicação dos pães realizada por Jesus.
de 1 até 3 pessoas = acontecimento ótimo, como uma viagem para a Disney
de 3 até 6 pessoas = um acontecimento bom, como uma ida ao Hopi Hari
de 6 até 9 pessoas = um acontecimento regular, que deve ser avaliado de maneira cuidadosa
de 9 até 12 pessoas = um acontecimento ruim, que deve ser evitado
mais que 12 pessoas = um acontecimento péssimo que não deve chegar a ser um acontecimento!
(pensando numa situação que afete de maneira direta umas 25 pessoas)

Esses números podem e devem ser colocados em proporções maiores de acordo com a situação, com o número de pessoas que podem ser afetadas e etc, mas enfim, a lógica é essa. As coisas não precisam dar certo, mas elas não podem machucar as pessoas a troco de nada. Quer dizer, elas podem, e normalmente é isso que elas fazem, mas elas não deviam.

Vamos supor que tudo o que me motivou a escrever isso não tivesse acontecido, ou pelo menos, tivesse sido diferente: eu não teria escrito o texto anterior a esse, pois estaria muito tranqüila quanto à minha relação com a hipocrisia, eu poderia ter evitado aproximadamente umas 10 mentiras, eu poderia ter duas preocupações a menos em relação ao futuro das minhas amizades, eu teria chorado menos e mais três pessoas também teriam chorado menos. Pelo menos mais umas quatro pessoas poderiam ter gastado todo o tempo que elas gastaram me dando conselhos e me ouvindo em coisas como comer cookies ou andar de bicicleta no parque. Ou simplesmente estudando, o que era necessário para muitas pessoas nesse final de semestre. Ou melhor ainda, pensando nos próprios problemas! E o melhor de tudo, eu poderia ter aproveitado uma experiência passada minha, e poderia dizer de maneira substancial que eu aprendi com meus erros.

Um, um acontecimento!

A questão é que eu não quis evitar, ninguém quis evitar. É que nem faculdade, a gente acha que em uma semana dá para salvar o semestre todo; a gente acha que em cinco minutos é possível consertar meses de cagadas. Cagadas? Não sei se foram cagadas. Foram coisas que eu tive vontade de fazer, e que, se não tive, fui facilmente influenciada por um par de olhos de uma cor muito sugestiva e encantadora.

E eu não sei se é só porque não pode acontecer, mas no fundo, eu acho que daria certo. Quer dizer, eu tentaria fazer certo. Mesmo sabendo de todas as coisas erradas que eu sei, em momento nenhum elas me impediram de querer ser a pessoa, sabe? E vai ser terrível, agora. Mas eu preciso que esse par de olhos continue existindo na minha vida de qualquer jeito, e esse jeito novo é provavelmente o único jeito que segue a regra da pergunta que eu criei.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Para Suspeitar

“Quem nunca se contradiz deve estar mentindo.”
Mário Quintana

Pois bem que o fato é um só – mantenha-se sempre alerta perante aos conselhos que recebe, às conversas que vivencia, às cenas que assiste e ao que as pessoas soltam sem querer, um pouco aos ventos. Provavelmente, se cada um prestasse uma real atenção ao mundo que o cerca, pouparia muitos esforços (é claro que acabaria por também se decepcionar mais e acreditar menos nas palavras e mais nos olhares – até mesmo quando estamos falando de pessoas com um extremo dom com as palavras).

Quem nunca se contradiz deve estar mentindo, porém, a contradição consciente é a mentira em si! Portanto, não faça como eu fiz ao ler essa frase – pare cinco minutos para pensar no dia que você teve. Em algum momento, você criticou alguma postura, aconselhou algum amigo aflito, pensou mal de alguém, e em algum momento posterior ou anterior, você fez algo muito pior ou tão ruim quanto. Quantas mini mentirinhas num dia como hoje, como ontem, num dia como sempre, num mundo como o nosso. Tudo que é consciente é absolutamente mais terrível do que aquilo que simplesmente acontece – outra razão genial para viver a vida de forma descompromissada! O não saber é o próprio mistério quando esconde não apenas a verdade, mas a culpa que essa verdade carrega. Eu preferia continuar em dúvida, de verdade.

A questão disso tudo é simplesmente afirmar para quem possa vir a se interessar que as respostas para todas as nossas dúvidas estão sempre erradas, incompletas ou inapropriadas. Se as últimas respostas fornecidas por mim fossem avaliadas, todas receberiam um zero justificado pelo critério de fuga ao tema. O segredo? Antes de criar uma resposta pomposa, crie uma resposta coerente. E em 11 anos de provas de história mensais, essa é a primeira vez que isso realmente ficou claro.

Bom, tendo em vista que responder é muito mais difícil do que parece, digo para aqueles que são como eu e que precisam de forma doentia simplesmente ocupar a cabeça com qualquer assunto desagradável, dolorido e complexo, ocupem-se com as perguntas feitas, ou com as próprias dúvidas. Responder não é o objetivo. Pode até ser que seja, mas eu ando sinceramente cansada de receber zeros por fuga ao tema, por isso, nada melhor do que fugir antes que avaliem e julguem essa nossa atitude.

E por mais hipócrita que isso tudo pareça, querido, essa é a primeira vez em muito tempo que eu não estou mentindo.

OBS – Se alguém se perguntou por que cargas d’água “Ah, mas e se?” é o nome de um blog, é basicamente por que eu descobri que devo perder umas 4 horas do meu dia me perguntando “como teria sido se...” ou então “ah, mas e se...?”. Daí hoje eu pensei “Ah, e se eu tivesse um blog?”. Aí é isso. Não entendeu? Relaxa, nem eu.